Mais um janeiro começa e com ele se renovam as esperanças da humanidade. Desejos de paz, prosperidade e vida nova se repetem ainda que a maioria não faça nada pra mudar. O final de ano deixou de ser apenas o ciclo completo da Terra em torno do Sol, para se tornar um motivador emocional. É uma época de reflexões, onde erros e acertos são colocados na balança, com a virada do ano se tornando uma nova chance. Essa reflexão no futebol brasileiro chegou em forma de lamentações e pesares após a derrota do Santos para o Barcelona na final do Mundial Interclubes da FIFA.
Eu comecei essa reflexão me remetendo a uma outra final de Mundial. Como bom flamenguista e amante do futebol-arte, comemorei os 30 anos do título contra o Liverpool. Vi na tv programas e reportagens dedicadas ao jogo, ouvi pelo rádio a transmissão original da partida ao mesmo tempo em que assistia ao jogo pela Internet na íntegra, li matérias especiais de jornais de hoje falando sobre aquele time histórico, li jornais da época dando conta da festa da torcida. Em tudo isso fica clara a consciência de que aquele time e aquele momento seriam históricos.
Lembro do Flamengo/81 e automaticamente da Seleção Brasileira/82 inspirado no que alguns jornalistas e o próprio treinador Pep Guardiola disseram após a partida contra o Santos: o Barcelona faz (muito bem) o que faziam os times brasileiros em outros tempos, jogando um futebol de bom toque de bola e muita técnica. A constatação da imensa superioridade técnica que alcançou esse time do Barça e essa afirmação de Guardiola caíram como uma bomba no futebol brasileiro. Simplesmente, o futebol brasileiro deixou de ser o melhor do mundo, deixou de jogar o futebol mais bonito. O nacionalismo exacerbado que previa vida dura pro Barcelona em campos brasileiros, saiu do salão constrangido com o baile que a equipe santista assistiu de camarote.
Essa crise técnica no futebol brasileiro não é algo recente. Esse é um processo pelo qual o futebol brasileiro vem passando desde os anos 80. Nossa última grande Seleção foi a de 1982 e o grande time foi esse Flamengo de 1981 que eu assisti por vídeos. Desde então muitos títulos foram conquistados por times brasileiros além de duas Copas do Mundo, mas nenhum time tinha esse brilho que encantava o mundo, o pai e o avô de Guardiola, como o mesmo dissera. As derrotas em Copas do Mundo que levaram a um jejum de 24 anos sem título, não é a única culpada. No mesmo período, um projeto de modernização começou a ser implantado no futebol brasileiro. A Europa passou a ser vista como modelo para nosso futebol, mesmo quando ainda tínhamos os melhores jogadores. Copiamos táticas, estratégias, estilo... menos o seu profissionalismo.
Dizem que o futebol brasileiro perdeu sua identidade. Sempre nos apegamos ao chamado futebol-arte, mas não raras vezes o abandonamos, como agora. Mano Menezes assumiu o comando da Seleção prometendo a volta do protagonismo do futebol brasileiro, mas ainda não conseguiu mudar esse panorama. Não é tão simples assim. Afinal, são mais de 20 anos investindo em um modelo que prioriza resultado e jogadores que agradem aos europeus. Buscamos o pragmatismo e o futebol de resultados dos europeus, ironicamente tão criticados e copiados por aqui. Não seria esse o nosso verdadeiro complexo de vira-latas? Mais do que se sentir inferiorizados e temer, aos olhos dos brasileiros o europeu é sempre o modelo a ser seguido. Eles são organizados, modernos e desenvolvidos, ao contrário do Brasil onde o improviso e o jeitinho solucionam tudo e nos impede de se desenvolver. O que um dia foi nosso maior orgulho e símbolo da nossa identidade se perdeu por aqui e foi descoberto pelos europeus. Mais uma vez vieram aqui e pegaram o que temos de melhor e nós, subdesenvolvidos e colonizados, compramos essa idéia de desenvolvimento.
Em janeiro sempre aconteça a Taça São Paulo de Juniores, onde grandes promessas do nosso futebol surgem todos os anos. Ou pelo menos é a nossa esperança de fim de ano. Mais um desejo que poucos fazem algo pra se tornar realidade.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Pan-Americano
Terminados os Jogos Pan-Americanos em Guadalajara, o Brasil comemora grandes resultados em diversas modalidades e recolhe fracassos em outros, como o futebol. Tanto a equipe masculina quanto a equipe feminina não levaram seus principais jogadores e com isso obtiveram resultados aquém do sempre esperado pelo futebol brasileiro. Ainda assim, esses resultados não são quase questionados, apontando a desvalorização do certame.
Aclamado como as Olimpíadas das Américas, os Jogos Pan-Americanos não tem a valorização que a alcunha supõe. É quase uma segunda divisão regional. O evento é desvalorizado pelos principais nomes do esporte e ganha em importância apenas para atletas de pouca visibilidade – seja do seu país, do seu esporte ou do próprio atleta – em busca de maior reconhecimento e destaque. Não fosse por isso, talvez alguns jogadores da seleção brasileira presente nesse Pan, nunca tivessem a oportunidade de vestir a amarelinha, dado o seu baixo nível. A CBF ajudou a esvaziar o torneio enviando uma seleção sub-20 sem contar com a maioria dos campeões mundiais da categoria alguns meses antes e destaques como Neymar e Lucas. A eliminação na primeira fase sem nenhuma vitória e futebol nada convincente, gerou críticas que poucos dias depois logo foram esquecidas.
A principio criado como evento de integração entre os povos da América, os Jogos recebem a mesma importância que os assuntos latino-americanos tem, ou seja, quase nenhuma. Por aqui, os Jogos Pan-Americanos refletem o pensamento de colonizados que os países da América Latina sempre tiveram, mesmo após as conquistas de independência. A idéia de pan-americanismo e de uma América soberana não conseguiu vingar nem ao menos nos esportes.
Aclamado como as Olimpíadas das Américas, os Jogos Pan-Americanos não tem a valorização que a alcunha supõe. É quase uma segunda divisão regional. O evento é desvalorizado pelos principais nomes do esporte e ganha em importância apenas para atletas de pouca visibilidade – seja do seu país, do seu esporte ou do próprio atleta – em busca de maior reconhecimento e destaque. Não fosse por isso, talvez alguns jogadores da seleção brasileira presente nesse Pan, nunca tivessem a oportunidade de vestir a amarelinha, dado o seu baixo nível. A CBF ajudou a esvaziar o torneio enviando uma seleção sub-20 sem contar com a maioria dos campeões mundiais da categoria alguns meses antes e destaques como Neymar e Lucas. A eliminação na primeira fase sem nenhuma vitória e futebol nada convincente, gerou críticas que poucos dias depois logo foram esquecidas.
A principio criado como evento de integração entre os povos da América, os Jogos recebem a mesma importância que os assuntos latino-americanos tem, ou seja, quase nenhuma. Por aqui, os Jogos Pan-Americanos refletem o pensamento de colonizados que os países da América Latina sempre tiveram, mesmo após as conquistas de independência. A idéia de pan-americanismo e de uma América soberana não conseguiu vingar nem ao menos nos esportes.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Copa do Mundo de Futebol ?
Faltam menos de 3 anos para a Copa do Mundo no Brasil e os preparativos estão chamando mais atenção do que o futebol. O andamento das obras de infra-estrutura e dos estádios, a Lei Geral da Copa, a escolha da cidade sede da abertura do evento e, por último, denúncias de corrupção do Ministro dos Esportes Orlando Silva, trazem maiores debates no âmbito político do que esportivo, transparecendo mais uma vez o uso político do futebol em nosso país.
A Lei Geral da Copa é o projeto que oficializa o conjunto de exigências da Fifa ao Comitê Organizador Local (COL), regulamentando a realização do evento no país. Apesar do evidente atraso nas obras dos estádios e da ainda mais preocupante lentidão nos projetos de infra-estrutura, é a Lei Geral da Copa que pode levar a troca do país-sede. As exigências feitas pela Fifa ao país-sede de um Mundial são exageradas, interferindo na legislação local e em direitos constitucionais. Tais medidas inevitavelmente causam polêmica, motivando setores do governo brasileiro a condicionar sua realização a uma revisão geral dos termos do acordo, em nome da soberania do país e dos direitos de seus cidadãos.
Enquanto isso, a FIFA junto com o presidente do COL Ricardo Teixeira, escolhe as sedes e tabela de Copa das Confederações e Copa do Mundo. Estrategicamente São Paulo e Minas Gerais são privilegiados com a abertura e jogos da Seleção Brasileira. Não por acaso, tais estados são governados pela oposição e políticos parceiros da CBF. Em pleno ano de eleições para presidente e governador, a seleção estará na casa de “aliados”.
O que se vê é que o país-sede de uma Copa do Mundo pode apenas sugerir, nunca impor ou até mesmo negociar. Organizar esses mega-eventos esportivos, ao contrário do que tentam nos empurrar, não é uma oportunidade única para o país crescer no cenário internacional e de se modernizar. Os interesses nacionais estão cada vez mais negligenciados. A debilidade de uma dita soberania nacional fica evidente quando bate de frente com o capital. A Copa do Mundo é do capital e não do povo. A Copa do Mundo é da Fifa e não de seus anfitriões. A Copa do Mundo está sendo cada vez menos do futebol.
A Lei Geral da Copa é o projeto que oficializa o conjunto de exigências da Fifa ao Comitê Organizador Local (COL), regulamentando a realização do evento no país. Apesar do evidente atraso nas obras dos estádios e da ainda mais preocupante lentidão nos projetos de infra-estrutura, é a Lei Geral da Copa que pode levar a troca do país-sede. As exigências feitas pela Fifa ao país-sede de um Mundial são exageradas, interferindo na legislação local e em direitos constitucionais. Tais medidas inevitavelmente causam polêmica, motivando setores do governo brasileiro a condicionar sua realização a uma revisão geral dos termos do acordo, em nome da soberania do país e dos direitos de seus cidadãos.
Enquanto isso, a FIFA junto com o presidente do COL Ricardo Teixeira, escolhe as sedes e tabela de Copa das Confederações e Copa do Mundo. Estrategicamente São Paulo e Minas Gerais são privilegiados com a abertura e jogos da Seleção Brasileira. Não por acaso, tais estados são governados pela oposição e políticos parceiros da CBF. Em pleno ano de eleições para presidente e governador, a seleção estará na casa de “aliados”.
O que se vê é que o país-sede de uma Copa do Mundo pode apenas sugerir, nunca impor ou até mesmo negociar. Organizar esses mega-eventos esportivos, ao contrário do que tentam nos empurrar, não é uma oportunidade única para o país crescer no cenário internacional e de se modernizar. Os interesses nacionais estão cada vez mais negligenciados. A debilidade de uma dita soberania nacional fica evidente quando bate de frente com o capital. A Copa do Mundo é do capital e não do povo. A Copa do Mundo é da Fifa e não de seus anfitriões. A Copa do Mundo está sendo cada vez menos do futebol.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Identidade Nacional
Na semana da Pátria, não é raro no Brasil se discutir sobre a sua real independência, sua soberania e o patriotismo de seu povo. Em um país que ainda se levanta tal questão, mostra a falta de uma identidade nacional. Um dos poucos símbolos e imagens de uma idéia de nação é o futebol e a Seleção brasileira.
A Seleção Brasileira sempre comoveu o país em época de Copa do Mundo. O orgulho de ser brasileiro, que falta no dia-a-dia a cada escândalo de corrupção, desrespeito com a população e a pobreza, sobra durante 1 mês a cada 4 anos. Tudo isso começou na Copa de 38, na França. Craques como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, representavam o país diante de grandes potências mundiais na Europa, com grande apoio da população e do governo de Getúlio Vargas, que ajudou a criar esse laço entre torcida e Seleção.

Leônidas da Silva e a sua invenção: a bicicleta
Hoje em dia pouco se vê desses momentos. Nos dias atuais, pra muitos tem sido apenas desculpa pra não trabalhar e reunir os amigos. Convocação e amistosos então... nem aquela paradinha em frente a qualquer tv pra ver o jogo existe mais.
Críticos apontam para o êxodo de nossos principais jogadores para o futebol europeu como a principal causa do afastamento da torcida da nossa Seleção. Tal afastamento aumentou ainda mais ao tornar cada vez mais raros jogos por nosso país, tendo a fria, nublada e longínqua Londres como a nova casa da Seleção. Alguns – especialistas e torcedores se misturam – acreditam ainda na perda do que na época da Copa de 38 era chamado de “futebol mulato”, conhecido hoje como futebol “garoto” ou “moleque”, ou simplesmente futebol brasileiro. Futebol bonito, bem jogado, envolvente, drible fácil, que se confunde com o nosso próprio “jeitinho brasileiro” de improvisar, encontrar uma solução, que nos ajudou a transformarmos no país do futebol.
A seleção brasileira vive uma crise de identidade com o seu torcedor. O fracasso na Copa de 2010 ganhou ecos pela forma como foi, com um futebol que fugiu a nossa identidade, sem a arte e o padrão de qualidade que se exige sempre com o Brasil em campo, jogando um futebol pragmático, jogando apenas pelo resultado. A contratação de Mano Menezes com um discurso de renovação, de volta as origens e de assumir novamente o papel de protagonista, ainda não convenceu a torcida, que tem pressa de ver novamente em campo um futebol-arte.
Nessa semana de independência, acredito que começou uma nova mudança. No jogo Brasil 1 x 0 Gana, se não foi possível ver um espetáculo, pelo menos foi visto Ronaldinho Gaúcho. Uma ponta de esperança nasce ao ver um dos principais representantes do futebol brasileiro que encantou o mundo, retornar a Seleção jogando um futebol próximo do seu melhor. Sua presença em campo além do toque de qualidade, traz experiência pra sustentar jovens talentos como Neymar e respeito dos adversários, como nos melhores tempos de protagonista do Brasil.

Neymar e Ronaldinho: volta do futebol-arte?
No mesmo dia houve uma convocação “sem estrangeiros” para a próxima partida, contra a Argentina. A melhora na economia brasileira, permite que jogadores como Ronaldinho, Neymar e Lucas atuem no país, o que faz com que essa convocação com jogadores atuantes no país atraia maior interesse e identificação da torcida. Voltaram os comentários sobre os convocados, as provocações com os rivais que cederam menos jogadores, pedidos por seus jogadores na Seleção. Isso valoriza ainda mais o trabalho dos clubes em contratar e manter craques, de investir em jogadores desconhecidos e jovens em formação.
No mundo globalizado atual, não se sabe ao certo os limites e fronteiras para a expansão cultural e de mercado. Natural que surjam dúvidas a respeito de uma identidade própria e soberania. O futebol brasileiro não passou ileso por esse globalização, mas ao menos, dá mostras de que compreendeu a sua identidade e tenta novamente recuperar seu papel como representante do seu povo e do Brasil se afirmando internacionalmente como o país do futebol.
A Seleção Brasileira sempre comoveu o país em época de Copa do Mundo. O orgulho de ser brasileiro, que falta no dia-a-dia a cada escândalo de corrupção, desrespeito com a população e a pobreza, sobra durante 1 mês a cada 4 anos. Tudo isso começou na Copa de 38, na França. Craques como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, representavam o país diante de grandes potências mundiais na Europa, com grande apoio da população e do governo de Getúlio Vargas, que ajudou a criar esse laço entre torcida e Seleção.

Leônidas da Silva e a sua invenção: a bicicleta
Hoje em dia pouco se vê desses momentos. Nos dias atuais, pra muitos tem sido apenas desculpa pra não trabalhar e reunir os amigos. Convocação e amistosos então... nem aquela paradinha em frente a qualquer tv pra ver o jogo existe mais.
Críticos apontam para o êxodo de nossos principais jogadores para o futebol europeu como a principal causa do afastamento da torcida da nossa Seleção. Tal afastamento aumentou ainda mais ao tornar cada vez mais raros jogos por nosso país, tendo a fria, nublada e longínqua Londres como a nova casa da Seleção. Alguns – especialistas e torcedores se misturam – acreditam ainda na perda do que na época da Copa de 38 era chamado de “futebol mulato”, conhecido hoje como futebol “garoto” ou “moleque”, ou simplesmente futebol brasileiro. Futebol bonito, bem jogado, envolvente, drible fácil, que se confunde com o nosso próprio “jeitinho brasileiro” de improvisar, encontrar uma solução, que nos ajudou a transformarmos no país do futebol.
A seleção brasileira vive uma crise de identidade com o seu torcedor. O fracasso na Copa de 2010 ganhou ecos pela forma como foi, com um futebol que fugiu a nossa identidade, sem a arte e o padrão de qualidade que se exige sempre com o Brasil em campo, jogando um futebol pragmático, jogando apenas pelo resultado. A contratação de Mano Menezes com um discurso de renovação, de volta as origens e de assumir novamente o papel de protagonista, ainda não convenceu a torcida, que tem pressa de ver novamente em campo um futebol-arte.
Nessa semana de independência, acredito que começou uma nova mudança. No jogo Brasil 1 x 0 Gana, se não foi possível ver um espetáculo, pelo menos foi visto Ronaldinho Gaúcho. Uma ponta de esperança nasce ao ver um dos principais representantes do futebol brasileiro que encantou o mundo, retornar a Seleção jogando um futebol próximo do seu melhor. Sua presença em campo além do toque de qualidade, traz experiência pra sustentar jovens talentos como Neymar e respeito dos adversários, como nos melhores tempos de protagonista do Brasil.

Neymar e Ronaldinho: volta do futebol-arte?
No mesmo dia houve uma convocação “sem estrangeiros” para a próxima partida, contra a Argentina. A melhora na economia brasileira, permite que jogadores como Ronaldinho, Neymar e Lucas atuem no país, o que faz com que essa convocação com jogadores atuantes no país atraia maior interesse e identificação da torcida. Voltaram os comentários sobre os convocados, as provocações com os rivais que cederam menos jogadores, pedidos por seus jogadores na Seleção. Isso valoriza ainda mais o trabalho dos clubes em contratar e manter craques, de investir em jogadores desconhecidos e jovens em formação.
No mundo globalizado atual, não se sabe ao certo os limites e fronteiras para a expansão cultural e de mercado. Natural que surjam dúvidas a respeito de uma identidade própria e soberania. O futebol brasileiro não passou ileso por esse globalização, mas ao menos, dá mostras de que compreendeu a sua identidade e tenta novamente recuperar seu papel como representante do seu povo e do Brasil se afirmando internacionalmente como o país do futebol.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Proteste Já
No último final de semana, na rodada de clássicos e encerramento do 1º turno do campeonato brasileiro, foram vistos em alguns estádios do país protestos contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) Ricardo Teixeira. Finalmente, palavras de protestos não se limitaram a alguns jornalistas e a redes sociais.
Os protestos aconteceram com maior força nos jogos em São Paulo e em Santa Catarina, nesse último após uma liminar na Justiça Federal de Santa Catarina contra a proibição da federação local que censurou as manifestações. Em Minas Gerais houve proibição da Polícia Militar da entrada no estádio das faixas de protestos. No Rio de Janeiro manifestações isoladas, sem adesão das torcidas organizadas que se desprendem de suas raízes de contestação e protesto em sua gênese. Pouco foi falado em jornais e nada foi visto nas transmissões dos jogos.
Recentemente, em uma palestra na Faculdade de Formação de Professores da UERJ sobre os megaeventos esportivos e o seu impacto no Rio de Janeiro e a sua população, Marcos Alvito, presidente e fundador da Associação Nacional dos Torcedores, diz acreditar que a falta de maior engajamento da população contra os absurdos na organização e o desrespeito ao torcedor, os (ainda) frequentadores de estádio, se dá pela construção da imagem do progresso e da modernidade para o país. Corrupção, superfaturamento, abuso de poder, tudo é camuflado pelos "benefícios" que a Copa e os Jogos Olímpicos trarão.
Além disso, acrescento ainda a cultura brasileira onde a perpetuação do poder está presente na política, nas relações sociais e em diversos outros meios e o paternalismo que permite torpe prática. Como pôde ser visto nessas manifestações, não é apenas a alienação da população que a impede de reivindicar e protestar. A rede do Poderoso Chefão do futebol brasileiro se estende além de clubes, federações, mídias esportivas e chega até mesmo a setores púbico que deveriam zelar pelo interesse do povo, lançando mão de meios coercitivos, uma verdadeira ditadura.
Mudanças não se dão de maneira tão simples quanto um click em protestos por redes sociais. A primeira manifestação na arquibancada, habitat natural do torcedor, ainda que tímida e de certa forma reprimida, já é um grande avhttp://www.blogger.com/img/blank.gifahttp://www.blogger.com/img/blank.gifnço. Uma maior adesão de torcedores e apoio político são essenciais para que ahttphttp://www.blogger.com/img/blank.gif://www.blogger.com/img/blank.gif cauhttp://www.blogger.com/img/blank.gifsa ganhe força. Rivalidades a parte, como diz um canto da torcida do Flamengo “Vamos dar as mãos e torcer juntos”.
Quem já luta por uma Copa de todos:
Associação Nacional dos Torcedores www.torcedores.org.br
Confederação Nacional das Torcidas Organizadas www.conatorg.com.br
Deputado Estadual @MarceloFreixo PSOL-RJ
Deputado Federal Romário PSB – RJ
Juca Kfouri @BlogdoJuca
Mauro Cezar Pereira @MauroCezarESPN
Os protestos aconteceram com maior força nos jogos em São Paulo e em Santa Catarina, nesse último após uma liminar na Justiça Federal de Santa Catarina contra a proibição da federação local que censurou as manifestações. Em Minas Gerais houve proibição da Polícia Militar da entrada no estádio das faixas de protestos. No Rio de Janeiro manifestações isoladas, sem adesão das torcidas organizadas que se desprendem de suas raízes de contestação e protesto em sua gênese. Pouco foi falado em jornais e nada foi visto nas transmissões dos jogos.
Recentemente, em uma palestra na Faculdade de Formação de Professores da UERJ sobre os megaeventos esportivos e o seu impacto no Rio de Janeiro e a sua população, Marcos Alvito, presidente e fundador da Associação Nacional dos Torcedores, diz acreditar que a falta de maior engajamento da população contra os absurdos na organização e o desrespeito ao torcedor, os (ainda) frequentadores de estádio, se dá pela construção da imagem do progresso e da modernidade para o país. Corrupção, superfaturamento, abuso de poder, tudo é camuflado pelos "benefícios" que a Copa e os Jogos Olímpicos trarão.
Além disso, acrescento ainda a cultura brasileira onde a perpetuação do poder está presente na política, nas relações sociais e em diversos outros meios e o paternalismo que permite torpe prática. Como pôde ser visto nessas manifestações, não é apenas a alienação da população que a impede de reivindicar e protestar. A rede do Poderoso Chefão do futebol brasileiro se estende além de clubes, federações, mídias esportivas e chega até mesmo a setores púbico que deveriam zelar pelo interesse do povo, lançando mão de meios coercitivos, uma verdadeira ditadura.
Mudanças não se dão de maneira tão simples quanto um click em protestos por redes sociais. A primeira manifestação na arquibancada, habitat natural do torcedor, ainda que tímida e de certa forma reprimida, já é um grande avhttp://www.blogger.com/img/blank.gifahttp://www.blogger.com/img/blank.gifnço. Uma maior adesão de torcedores e apoio político são essenciais para que ahttphttp://www.blogger.com/img/blank.gif://www.blogger.com/img/blank.gif cauhttp://www.blogger.com/img/blank.gifsa ganhe força. Rivalidades a parte, como diz um canto da torcida do Flamengo “Vamos dar as mãos e torcer juntos”.
Quem já luta por uma Copa de todos:
Associação Nacional dos Torcedores www.torcedores.org.br
Confederação Nacional das Torcidas Organizadas www.conatorg.com.br
Deputado Estadual @MarceloFreixo PSOL-RJ
Deputado Federal Romário PSB – RJ
Juca Kfouri @BlogdoJuca
Mauro Cezar Pereira @MauroCezarESPN
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Sócrates
Em meio a notícias sobre o seu grave estado de saúde, nunca é demais dizer: Doutor Sócrates é um filósofo da bola. Todo o conhecimento demonstrado dentro de campo com a bola nos pés faz jus ao nome que carrega. Sua técnica apurada era digna de uma tese de doutorado. Sua personalidade fora dos campos também.
Sócrates é expoente de uma geração de personalidade própria, opiniões formadas e atitudes impensáveis para jogadores de futebol nos dias atuais. Tem curso superior completo ainda nos tempos de jogador e como um verdadeiro filósofo, é um sujeito esclarecido e questionador. Aparece nos anos finais da ditadura no Brasil como um dos líderes da Democracia Corinthiana e no comício das Diretas Já. O Doutor e alguns dos seus contemporâneos apresentavam menos discursos repetitivos e maior espontaneidade. Espontaneidade essa que pode ser vista, por exemplo, em Falcão, seu companheiro na inesquecível Seleção da Copa de 82, ao comemorar seu gol contra a Itália correndo em êxtase, veias saltando e uma explosão de alegria em tom de desabafo que marca qualquer um que assista ainda hoje, quase 30 anos depois.
Atualmente jogadores fazem seu marketing pessoal e se preocupam com uma boa imagem, sem maiores preocupações com temas atuais do nosso país e do mundo. Seus comportamentos são tolhidos pelo politicamente correto. Até mesmo as comemorações perderam um pouco da alegria e a sua espontaneidade com o famigerado João Sorrisão tornando-se moda entre os boleiros.
Não sou adepto de teorias conspiratórias ou de fatalimos. Tentativa de manipulação de comemoração soa como um programa bem maroto instalado na Matrix. Jogadores acéfalos pelo mesmo motivo, idem. O homem é sujeito do seu tempo. O contexto histórico mudou, apenas. A geração atual não precisou lutar e gritar como a de Sócrates, já encontrou muito conquistado ou em vias disso. Mais um motivo pra ser sempre celebrado. Homem sábio, consciente do seu papel e do seu tempo, tornou-se um craque dentro e fora dos campos.
Força em mais essa luta, Doutor!
Sócrates é expoente de uma geração de personalidade própria, opiniões formadas e atitudes impensáveis para jogadores de futebol nos dias atuais. Tem curso superior completo ainda nos tempos de jogador e como um verdadeiro filósofo, é um sujeito esclarecido e questionador. Aparece nos anos finais da ditadura no Brasil como um dos líderes da Democracia Corinthiana e no comício das Diretas Já. O Doutor e alguns dos seus contemporâneos apresentavam menos discursos repetitivos e maior espontaneidade. Espontaneidade essa que pode ser vista, por exemplo, em Falcão, seu companheiro na inesquecível Seleção da Copa de 82, ao comemorar seu gol contra a Itália correndo em êxtase, veias saltando e uma explosão de alegria em tom de desabafo que marca qualquer um que assista ainda hoje, quase 30 anos depois.
Atualmente jogadores fazem seu marketing pessoal e se preocupam com uma boa imagem, sem maiores preocupações com temas atuais do nosso país e do mundo. Seus comportamentos são tolhidos pelo politicamente correto. Até mesmo as comemorações perderam um pouco da alegria e a sua espontaneidade com o famigerado João Sorrisão tornando-se moda entre os boleiros.
Não sou adepto de teorias conspiratórias ou de fatalimos. Tentativa de manipulação de comemoração soa como um programa bem maroto instalado na Matrix. Jogadores acéfalos pelo mesmo motivo, idem. O homem é sujeito do seu tempo. O contexto histórico mudou, apenas. A geração atual não precisou lutar e gritar como a de Sócrates, já encontrou muito conquistado ou em vias disso. Mais um motivo pra ser sempre celebrado. Homem sábio, consciente do seu papel e do seu tempo, tornou-se um craque dentro e fora dos campos.
Força em mais essa luta, Doutor!
sábado, 13 de agosto de 2011
Sempre o complexo de vira-latas
Nelson Rodrigues não poderia ter sido mais preciso ao criar essa idéia de complexo de vira-latas do brasileiro, sendo profundo ao tocar na alma brasileira, apontando para isso como causa dos fracassos do nosso futebol. Até sermos campeões do mundo vivíamos em busca da afirmação junto aos países europeus de um status de modernidade e igualdade que nos elevaria a outro patamar, nos transformaria em potência do futebol. Nada diferente da própria sociedade brasileira, que ao final do século XIX e início do século XX importava da Inglaterra as principais novidades, com todo o seu ar aristocrata e elitista, entre essas novidades o próprio futebol. E hoje em pleno século XXI esse complexo não foi superado.
Sediar eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos aumentam a estima do povo brasileiro e o faz acreditar que o país realmente está melhorando, ainda que sua vida continua a mesma com o país sendo a 7ª ou 20ª economia do mundo. O orgulho do povo brasileiro se estendeu além dos dias de uma Copa e se alonga por esses 4 anos que a antecedem, mesmo que essa Copa não seja sua, com o seu suado salário – que não paga suas contas ao final do mês e não pagará também por ingressos – pagando altos impostos para promover um evento que ele assistirá pela tv, como também assistiu na África, no Japão... Aliás, evento esse que o governo prometeu não investir NOSSO dinheiro, deixando a cargo da iniciativa privada.
Tão metendo a mão na nossa Copa
Casos de corrupção, mau uso do dinheiro público, falta de transparência, abuso de poder, desapropriações ilegais, falta de um legado para a população, obras de necessidades duvidosas... é o que tem pra hoje pronto e, infelizmente, sabemos que é só o começo. Mas a preocupação do brasileiro é #ForaMano ou a frase verdadeira, mas que em nada colabora "o Brasil não está preparado pra Copa".
Enquanto no Rio de Janeiro uma manifestação contra CBF e o seu dono Ricardo Teixeira reúne 50 pessoas e conta com ajuda até de senhoras que protestam contra privatização do Parque do Flamengo(!!!), na Argentina – país que o futebol recebe investimento federal – milhares de pessoas em diferentes pontos do país protestam contra uma virada de mesa e o presidente de sua Federação, Julio Grondona. Numa Europa em crise econômica e crescente desemprego, jogadores ameaçam entrar em greve em suas principais ligas, como na Itália e na Espanha. A Inglaterra, país-sede das próximas Olimpíadas, passa por um surto de violência que assusta todo o mundo, obriga o adiamento de jogos de futebol e põe em dúvida a questão da segurança para a realização do evento.
O complexo de vira-latas se foi superado em campo, falta muito pro mesmo acontecer fora deles. Sonhamos com o paraíso de países desenvolvidos, mas não lutamos por ele. Países mais desenvolvidos têm pesadelos com o inferno dos subdesenvolvidos e lutam como podem pra não ser tornar um deles. Se nem o maior orgulho do brasileiro é capaz de comovê-lo a mudança, o que será?
Sediar eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos aumentam a estima do povo brasileiro e o faz acreditar que o país realmente está melhorando, ainda que sua vida continua a mesma com o país sendo a 7ª ou 20ª economia do mundo. O orgulho do povo brasileiro se estendeu além dos dias de uma Copa e se alonga por esses 4 anos que a antecedem, mesmo que essa Copa não seja sua, com o seu suado salário – que não paga suas contas ao final do mês e não pagará também por ingressos – pagando altos impostos para promover um evento que ele assistirá pela tv, como também assistiu na África, no Japão... Aliás, evento esse que o governo prometeu não investir NOSSO dinheiro, deixando a cargo da iniciativa privada.
Tão metendo a mão na nossa Copa
Casos de corrupção, mau uso do dinheiro público, falta de transparência, abuso de poder, desapropriações ilegais, falta de um legado para a população, obras de necessidades duvidosas... é o que tem pra hoje pronto e, infelizmente, sabemos que é só o começo. Mas a preocupação do brasileiro é #ForaMano ou a frase verdadeira, mas que em nada colabora "o Brasil não está preparado pra Copa".
Enquanto no Rio de Janeiro uma manifestação contra CBF e o seu dono Ricardo Teixeira reúne 50 pessoas e conta com ajuda até de senhoras que protestam contra privatização do Parque do Flamengo(!!!), na Argentina – país que o futebol recebe investimento federal – milhares de pessoas em diferentes pontos do país protestam contra uma virada de mesa e o presidente de sua Federação, Julio Grondona. Numa Europa em crise econômica e crescente desemprego, jogadores ameaçam entrar em greve em suas principais ligas, como na Itália e na Espanha. A Inglaterra, país-sede das próximas Olimpíadas, passa por um surto de violência que assusta todo o mundo, obriga o adiamento de jogos de futebol e põe em dúvida a questão da segurança para a realização do evento.
O complexo de vira-latas se foi superado em campo, falta muito pro mesmo acontecer fora deles. Sonhamos com o paraíso de países desenvolvidos, mas não lutamos por ele. Países mais desenvolvidos têm pesadelos com o inferno dos subdesenvolvidos e lutam como podem pra não ser tornar um deles. Se nem o maior orgulho do brasileiro é capaz de comovê-lo a mudança, o que será?
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