A Seleção Brasileira sempre comoveu o país em época de Copa do Mundo. O orgulho de ser brasileiro, que falta no dia-a-dia a cada escândalo de corrupção, desrespeito com a população e a pobreza, sobra durante 1 mês a cada 4 anos. Tudo isso começou na Copa de 38, na França. Craques como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, representavam o país diante de grandes potências mundiais na Europa, com grande apoio da população e do governo de Getúlio Vargas, que ajudou a criar esse laço entre torcida e Seleção.

Leônidas da Silva e a sua invenção: a bicicleta
Hoje em dia pouco se vê desses momentos. Nos dias atuais, pra muitos tem sido apenas desculpa pra não trabalhar e reunir os amigos. Convocação e amistosos então... nem aquela paradinha em frente a qualquer tv pra ver o jogo existe mais.
Críticos apontam para o êxodo de nossos principais jogadores para o futebol europeu como a principal causa do afastamento da torcida da nossa Seleção. Tal afastamento aumentou ainda mais ao tornar cada vez mais raros jogos por nosso país, tendo a fria, nublada e longínqua Londres como a nova casa da Seleção. Alguns – especialistas e torcedores se misturam – acreditam ainda na perda do que na época da Copa de 38 era chamado de “futebol mulato”, conhecido hoje como futebol “garoto” ou “moleque”, ou simplesmente futebol brasileiro. Futebol bonito, bem jogado, envolvente, drible fácil, que se confunde com o nosso próprio “jeitinho brasileiro” de improvisar, encontrar uma solução, que nos ajudou a transformarmos no país do futebol.
A seleção brasileira vive uma crise de identidade com o seu torcedor. O fracasso na Copa de 2010 ganhou ecos pela forma como foi, com um futebol que fugiu a nossa identidade, sem a arte e o padrão de qualidade que se exige sempre com o Brasil em campo, jogando um futebol pragmático, jogando apenas pelo resultado. A contratação de Mano Menezes com um discurso de renovação, de volta as origens e de assumir novamente o papel de protagonista, ainda não convenceu a torcida, que tem pressa de ver novamente em campo um futebol-arte.
Nessa semana de independência, acredito que começou uma nova mudança. No jogo Brasil 1 x 0 Gana, se não foi possível ver um espetáculo, pelo menos foi visto Ronaldinho Gaúcho. Uma ponta de esperança nasce ao ver um dos principais representantes do futebol brasileiro que encantou o mundo, retornar a Seleção jogando um futebol próximo do seu melhor. Sua presença em campo além do toque de qualidade, traz experiência pra sustentar jovens talentos como Neymar e respeito dos adversários, como nos melhores tempos de protagonista do Brasil.

Neymar e Ronaldinho: volta do futebol-arte?
No mesmo dia houve uma convocação “sem estrangeiros” para a próxima partida, contra a Argentina. A melhora na economia brasileira, permite que jogadores como Ronaldinho, Neymar e Lucas atuem no país, o que faz com que essa convocação com jogadores atuantes no país atraia maior interesse e identificação da torcida. Voltaram os comentários sobre os convocados, as provocações com os rivais que cederam menos jogadores, pedidos por seus jogadores na Seleção. Isso valoriza ainda mais o trabalho dos clubes em contratar e manter craques, de investir em jogadores desconhecidos e jovens em formação.
No mundo globalizado atual, não se sabe ao certo os limites e fronteiras para a expansão cultural e de mercado. Natural que surjam dúvidas a respeito de uma identidade própria e soberania. O futebol brasileiro não passou ileso por esse globalização, mas ao menos, dá mostras de que compreendeu a sua identidade e tenta novamente recuperar seu papel como representante do seu povo e do Brasil se afirmando internacionalmente como o país do futebol.
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