Sócrates é expoente de uma geração de personalidade própria, opiniões formadas e atitudes impensáveis para jogadores de futebol nos dias atuais. Tem curso superior completo ainda nos tempos de jogador e como um verdadeiro filósofo, é um sujeito esclarecido e questionador. Aparece nos anos finais da ditadura no Brasil como um dos líderes da Democracia Corinthiana e no comício das Diretas Já. O Doutor e alguns dos seus contemporâneos apresentavam menos discursos repetitivos e maior espontaneidade. Espontaneidade essa que pode ser vista, por exemplo, em Falcão, seu companheiro na inesquecível Seleção da Copa de 82, ao comemorar seu gol contra a Itália correndo em êxtase, veias saltando e uma explosão de alegria em tom de desabafo que marca qualquer um que assista ainda hoje, quase 30 anos depois.
Atualmente jogadores fazem seu marketing pessoal e se preocupam com uma boa imagem, sem maiores preocupações com temas atuais do nosso país e do mundo. Seus comportamentos são tolhidos pelo politicamente correto. Até mesmo as comemorações perderam um pouco da alegria e a sua espontaneidade com o famigerado João Sorrisão tornando-se moda entre os boleiros.
Não sou adepto de teorias conspiratórias ou de fatalimos. Tentativa de manipulação de comemoração soa como um programa bem maroto instalado na Matrix. Jogadores acéfalos pelo mesmo motivo, idem. O homem é sujeito do seu tempo. O contexto histórico mudou, apenas. A geração atual não precisou lutar e gritar como a de Sócrates, já encontrou muito conquistado ou em vias disso. Mais um motivo pra ser sempre celebrado. Homem sábio, consciente do seu papel e do seu tempo, tornou-se um craque dentro e fora dos campos.
Força em mais essa luta, Doutor!
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