quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eurocopa: nações e nacionalismos


Pra quem realmente gosta de futebol, assistir a campeonatos como a Eurocopa trata-se de obrigação. Consome-se toda informação possível antes da bola rolar e acompanha o seu desenrolar religiosamente, como se seu clube ou a seleção de seu país participasse do torneio. Sendo essa uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina no jargão popular, escolhe-se em algum momento uma equipe para torcer. Eu até tento ser imparcial em jogos que não envolvem o Flamengo, mas sempre me flagro torcendo por alguém, em qualquer jogo.
Nessa Eurocopa, torci pra Alemanha como sempre faço desde os anos 90 por alguma razão que eu próprio desconheço. Como faço isso desde muito novo, me é muito natural. Afinal, gosto de futebol antes de ter exata noção do que representa uma seleção nacional. E isso para alguns causa muita estranheza. Como é possível torcer pra outro país se não o seu? Por que eleger uma  nação com o qual não tenha nenhum vínculo além do afetivo?
No Brasil, principalmente, a seleção de futebol está fortemente vinculada a construção de nossa nacionalidade. Nada mais patriota do que a cada 4 anos vestir a amarelinha e cantar ”eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. E isso foi forjado em nosso país na Era Vargas, quando houve um processo de construção de identidade nacional no qual a nossa seleção era um importante instrumento de consolidação desse projeto. A euforia da qual participamos em Copas do Mundo não foi vista nas primeiras participações brasileiras, sendo notado apenas na Copa de 38, com enorme contribuição do governo varguista.
Na Europa esse processo de criações de nacionalidades se iniciou ainda no século XIX e temos como uma de suas conseqüências a Grande Guerra. Esse nacionalismo exacerbado até hoje provoca conflitos por todo o mundo, como visto nessa própria Eurocopa nas brigas entre poloneses e russos. Isso só serve pra demonstrar o quão grave pode ser se apegar a determinadas tradições, muitas vezes vistas como natural. Felizmente consigo assistir e torcer por um bom futebol sem me envolver com isso. Foi possível ver até brasileiros atuando por seleções europeias, sem nenhuma "raiz", apenas por interesses esportivos. Então por que eu não poderia torcer pelo mesmo motivo?

2 comentários:

  1. Po, será que hoje, principalmente no Brasil, alguém se importa com esses velhos nacionalismos? Creio que não temos uma tradição nacionalista tão forte para nos importarmos com isso..

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  2. Aqui no Brasil ele se expressa de maneira diferente. Enquanto na Europa envolve questões políticas, culturais, étnicas, etc, aqui isso foi construído em torno do futebol , do samba, do carnaval, da mestiçagem, da alegria do povo... Então se importam mais qnd é um gringo falando mal do Brasil, qnd perdemos Copa do Mundo...

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